Sinistralidade média chega a 87,3% e operadoras pressionam por reajustes mais altos. Debate sobre sustentabilidade do setor se intensifica entre reguladores, operadoras e consumidores.
Os índices de sinistralidade dos planos de saúde alcançaram patamares históricos no último trimestre, com média de 87,3% entre as principais operadoras do país. O dado, divulgado pela ANS, acende o alerta sobre a sustentabilidade financeira do setor e coloca em pauta a inevitabilidade de reajustes mais expressivos para os contratos individuais e coletivos.
A sinistralidade — que mede a relação entre os custos assistenciais e as receitas das operadoras — foi impulsionada pelo aumento da utilização de serviços pós-pandemia, pela incorporação de novas tecnologias médicas e pelo envelhecimento da carteira de beneficiários. Especialistas apontam que o patamar acima de 85% compromete a operação de muitas empresas do setor.
O Debate sobre Reajustes
A ANS deve definir nas próximas semanas o índice de reajuste para planos individuais e familiares, com projeções do mercado variando entre 9% e 14%. Para os contratos coletivos, que representam cerca de 80% do mercado, as negociações entre operadoras e empresas contratantes prometem ser mais tensas.
Entidades representativas dos beneficiários alertam que reajustes elevados podem provocar uma onda de cancelamentos, reduzindo ainda mais a base de clientes e criando um ciclo vicioso de aumento de custos. O Instituto de Defesa do Consumidor recomenda que beneficiários avaliem opções de portabilidade antes de aceitar reajustes considerados abusivos.
Por outro lado, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) defende que os reajustes são necessários para garantir a qualidade do atendimento e a incorporação de novas tecnologias médicas, argumentando que a saúde suplementar no Brasil oferece um dos melhores custo-benefícios do mundo.
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